Startup Weekend: Tudo que nunca te falaram sobre uma edição do evento

Para muitos o feriadão é sinônimo de descanso, para outros é momento de aprendizado, tirar ideias do papel e colocar as mãos na massa para se tornar um empreendedor. O evento Startup Weekend, que movimenta o campus da FMP – Faculdade Municipal da Palhoça, até domingo (23), é uma verdadeira imersão no mundo dos negócios onde os participantes aprenderão itens básicos para se tornar um empreendedor de sucesso: modelo de negócio, validação, execução e design.

Este movimento das startups iniciou na década de 90 e se espalhou em uma velocidade gigante, ganhando a atenção de entidades e empresários que conseguiram ver no modelo de negócio e nas formas de gestão, baixo custo e alta capacidade de expansão. Para quem ainda não conhece o que é uma startup, a melhor definição seria: uma empresa inovadora que busca um modelo de negócios escalável e repetível.

Os números do Startup Weekend

O evento que movimenta Palhoça neste fim de semana é um dos mais de 3 mil eventos realizados em mais de 150 países, 1.100 cidades, envolvendo mais de 250 mil participantes e 10 mil voluntários na organização. Neste exato momento estão acontecendo 36 edições do Startup Weekend no mundo,  três no Brasil, sendo uma delas em Palhoça. Todas iniciadas ao mesmo tempo e seguindo o mesmo cronograma que resultará na validação de uma ideia após 54h de trabalho.

Das seis edições já realizadas no município, esta é a que possui o maior número de participantes do sexo feminino, mostrando a força da mulher nas iniciativas empreendedoras e no mercado de trabalho. A edição 2019 conta com nove mentores, três jurados e mais de 90 participantes dos mais variados perfis, entre eles desenvolvedores, designers, advogados, psicólogos e publicitários. Mas também há pessoas com espírito empreendedor que tem uma ideia na cabeça e muita energia para tirar ela do papel e verificar se pode ganhar dinheiro ou partir para outra. “Vocês podem aplicar o modelo onde quiserem, não necessariamente em uma nova startup. Aqui o objetivo é evoluir sua mentalidade empreendedora e validar suas ideias, seja para criar um produto ou um novo processo”, afirmou Cárlei Nunes, facilitadora do evento.

Startup Weekend Palhoça Cárlei Nunes

 

SC é destaque em eventos de startups

No Brasil, Santa Catarina é um dos principais Estados em número de eventos que incentivam o empreendedorismo e o movimento das startups. Entre os principais incentivadores deste tipo de evento está o Sebrae-SC, que com o apoio de empresas privadas desenvolve e fortalece todo sistema de startups no estado. “Esta é a 6ª edição em Santa Catarina e durante o ano ainda estão programadas outras 10 edições com o apoio do Sebrae-SC. Ao todo são R$ 225 mil investidos no desenvolvimento destes 16 eventos de imersão no mundo do empreendedorismo”, afirma Alexandre Souza, Coordenador do Projeto Startup do Sebrae-SC. Seu trabalho como organizador de mais de 30 edições de eventos na área também garantiu, em 2018, o prêmio Herói do Ano, uma das homenagens prestadas durante o Startup Awards.

Startup Weekend Palhoça Sebrae-SC
Imagem: Aline T. Fochi

O Primeiro Dia

O primeiro dia do encontro foi de “quebrar o gelo” com dinâmicas e atividades que aqueceram o cérebro e proporcionaram boas risadas entre os participantes. Também foi hora de conhecer as regras, a metodologia de trabalho e, é claro, escolher as melhores ideias para serem trabalhadas pelas equipes. Ao todo 40 pitchs – uma apresentação de 60 segundos para vender sua ideia, despertar o interesse e atrair outros participantes para trabalhar. Dez propostas foram selecionadas por votação e uma por adesão do número mínimo de quatro pessoas para trabalhar no seu projeto.

Startup Weekend Palhoça 10 Propostas selecionadas
Imagem: Aline T. Fochi – Propostas selecionadas

 

Desenvolvendo a comunidade

Além do Sebrae-SC, empresas tradicionais no mercado, como a Multilog, são incentivadoras deste tipo de iniciativa justamente por acreditarem que focando no desenvolvimento da comunidade, a empresa também se beneficia com processos de inovação como explica Richard Souza Dias, representante da empresa no evento. “A Multilog é uma empresa com 23 anos de mercado que passou em pouco tempo de 300 para mais de 1500 colaboradores. Incentivar este tipo de evento nos ajuda a também renovar nossa mentalidade empreendedora e fomentar o empreendedorismo na região onde estamos inseridos. Aqui o processo é o mesmo que deve ser aplicado em qualquer empresa sempre que for feito algo novo. Tente, erre e erre rápido para corrigir”, afirma.

O grande incentivador local é a TotalVoice. Um empresa palhocense que possui uma API de comunicação por voz e texto que permite as empresas criarem melhores experiência na comunicação. Segundo Maurício Martins, representante da empresa no evento, o objetivo de incentivar e apoiar esta iniciativa é manter relacionamento com o público participante. “Aqui estão pessoas que podem fazer parte tanto do perfil de clientes como de profissionais para integrar nossa estrutura de colaboradores. Ao apoiar iniciativas como esta, estamos desenvolvendo o empreendedorismo de toda região”, afirma.

Os mentores

Um time de líderes, pessoas com uma visão totalmente fora da caixa, acostumados em resolver conflitos e fazer as perguntas certas. Sim, muitas vezes uma boa pergunta pode fazer o grupo repensar toda ideia. Se no primeiro momento eles são muito esperados, num segundo encontro eles são “temidos”, afinal, ninguém gosta de ouvir que sua ideia fabulosa não era tão incrível assim.

Quem são estes homens e mulheres que orientam os times? Kayuá Freitas, Jéssica Lemkhul, Patrícia P, André Denófrio, André Carvalho, Maíra Rodrigues, Fabian Caco, Giuseppe Pereira e Mariana Bellini. Para coordenar toda esta comunicação entre mentores e mentorados, as facilitadoras Cárlei Nunes e Luiza Pedroso.

   

O segundo dia

A manhã deste sábado (22) já começou com palestra de validação, onde os participantes conseguiram compreender o processo que existe entre a ideias que eles acreditam e o que realmente é a necessidade do mercado. Conseguir olhar todos os fatos que realmente fazem parte do negócio, encontrar potenciais utilizadores, compradores e parceiros para ter feedback e insights sobre todos os elementos do modelo de negócio, incluindo as características do produto, preços, canais de distribuição e estratégias para a aquisição a preços acessíveis.

Depois de um super café da manhã, a primeira palestra do dia. Em pouco mais de 10 minutos Mariana Bellini passou o recado sobre como validar uma ideia. “Saiba o que você quer validar. Seja objetivo, pois ninguém tem tempo a perder. Tenha foco, escolha um perfil e vá a campo. Não faça muitas perguntas, deixe as pessoas falarem e explicarem como lidam com o problema”, orientou ela.

A mentora explicou a metodologia a ser aplicada e os dois tipos de pesquisa a serem utilizadas, as quantitativas e qualitativas. A qualitativa é a que você tem mais insights, pois você conversa com as pessoas, entende a dor, consegue ter mais embasamento para criar as perguntas que darão suporte para fazer na próxima etapa, a pesquisa quantitativa. “Na qualitativa você fala com 10 e tem perguntas abertas, na quantitativa você pesquisa 100 e focado em respostas fechadas”.

Se é na rua que as coisas acontecem, é para o trabalho de campo que a equipe foi depois de ouvir a mensagem, realizar a primeira reunião em grupo, ouvir os mentores e definir as perguntas. “É fora da zona de conforto, mas é fundamental neste processo de validação o olho no olho”, enfatizou Mariana

 

Um novo vocabulário

Pitch? Pivotar? Fit? MVP? Spoiler? Calma! Vamos explicar tudo.

Termos cada vez mais comuns no mundo corporativo, especialmente no dia a dia de uma startup, foram incorporados no vocabulário dos participantes. Não conhece? Então vamos lá para um exemplo bem prático vivido pelos grupos aqui no Startup Weekend Palhoça.

Alguém apresenta uma ideia através de um pitch. Este projeto ganha a adesão de algumas pessoas que juntas vão validar a proposta no mercado. Problema identificado? Se resolvido ótimo, passamos para a fase de MVP, onde todo projeto para venda do produto é montado. Se a ideia não for validada, ela pivotou! Ou seja, foi readaptada para novamente ir para um processo de validação, podendo pivotar mais de uma vez. No meio deste processo, o mentor até pode saber o que vai acontecer, mas não pode dar um spoiler, e sim, proporcionar que o grupo viva as experiências, pois é no erro que se aprende. Passado o processo de MVP, começa a busca pelo primeiro cliente, depois para rentabilidade do negócio com mais vendas, completando assim a jornada.

No trabalho contra o relógio, as 11 equipes saíram para validar o projeto inicial. Muitas pivotaram, mas como aqui os mentores também doam o sangue para que as equipes obtenham a melhor performance, lá estavam eles orientando. No meio da tarde a segunda palestra do dia com Kayuá Freitas.  realizou a segunda palestra do dia para falar, em menos de 15 minutos sobre MVP. Por onde começar esta nova fase? Pela escolha entre o MVP Concierge e o MVP Mágico de Oz. Qual a diferença? O Concierge é o faça você mesmo, na garagem de casa, sendo o vendedor, o suporte e a recepcionista. Já no Mágico de Oz, você precisa lembrar que o que vale não é o máximo de tecnologia envolvida, mas a forma como resolver o problema. Além disso, é preciso identificar o modelo de negócio. “Tudo até aqui só será válido se houver uma forma de ganhar dinheiro. Então no MVP também é hora de definir como será feita a venda. Esta é a última etapa até a primeira venda”, reforçou Kayuá.

 

Neste aprender fazendo, é preciso ter muita energia e habilidades emocionais para conseguir defender ideias, distribuir tarefas e trabalhar com pessoas que você nunca viu, em algo que precisa sair da cabeça e  ser comercializado em menos de 54h.

Confira no quadro um breve resumo das equipes neste segundo dia, na jornada do Zero ao Hero. 10 equipes no MVP e 1 equipe com a venda do primeiro cliente.

Dicionário Startupês

FIT – Nada de produtos naturais. Aqui o FIT é aderência de mercado, o ajuste entre produto e mercado. Sem encontrar o product/market fit, nenhuma startup vai para frente.

Pivotar – mudar drasticamente de ideia após a primeira validação. Readaptar a startup para um modelo mais escalável.

Spoiler – Sabe quando você já viu um filme e acaba com a expectativa de uma pessoa contando algo? Neste caso, é deixar que o grupo passe por todas as etapas, sem contar o que acontece, vivenciando.

MVP – Escolha da solução que alcance o Mínimo Produto Viável.

Pitch – uma pequena apresentação para vender o seu produto.

 

O Jornal O Estado está fazendo a cobertura do evento. No domingo, último dia do evento, iremos apresentar as 11 propostas e suas equipes, além das três propostas escolhidas pelos jurados. Continue nos acompanhando e acompanhando também o calendário das próximas edições do Startup Weekend em Santa Catarina.

Apenas lembrando: A Easy Taxi surgiu de um Startup Weekend e se quer ficou entre as 3 primeiras colocadas, mas hoje é o que é.

Se você chegou até aqui é porque realmente já está entrando neste clima. Aproveita pra saber como foi o último dia do evento e conhecer todas as ideias desenvolvidas nestas 54h de imersão no mundo do empreendedorismo e inovação.

Um comentário em “Startup Weekend: Tudo que nunca te falaram sobre uma edição do evento

  • 23/06/2019 em 10:15 PM
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    Vale lembrar e citar a equipe organizadora. Foram meses de trabalho voluntário pro evento acontecer.

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