Mães que trabalham na tecnologia: o que almejam para suas filhas?

Mães da tech!

O mundo já não é mais o mesmo. A pandemia provocou e acelerou muitas mudanças culturais, nas relações familiares e profissionais. Nesse novo cenário, a tecnologia mostrou o seu protagonismo,  apresentando soluções para o combate e prevenção ao coronavírus e para a digitalização dos negócios.

Apesar disso, os desafios para as mulheres que são mães e profissionais do setor ainda são grandes, já que a área ainda é predominantemente masculina. As “mães da tech” superam barreiras e obstáculos diariamente e vislumbram um futuro diferente para suas filhas. Respeito mais inclusão, menos preconceitos. Estes são alguns dos desejos das profissionais ouvidas pela reportagem.

Confira quatro histórias de  mães que trabalham na tecnologia.

Kelly: Sem fronteiras para o seu ser

O contato com a tecnologia começou muito cedo para Kelly Mathias Paganucci, head of  Customer Success na Effecti, startup especializada em tecnologia para participantes de licitação. Com um pai e um irmão desenvolvedores, para Kelly foi natural estudar desenvolvimento de sistemas e trabalhar na área. Apesar de enxergar as barreiras que precisam ser superadas para que mais mulheres trabalhem no setor, ela recorda que foi quando se tornou mãe da pequena Giulietta Paganucci, de 7 meses, que ficou mais claro para ela o seu papel de deixar o mundo  um lugar melhor e mais igualitário para a filha.

“Optei por não saber o sexo até o nascimento e, quando vi que era uma menina, percebi que era mais forte do que eu imaginava. Almejo que minha filha tenha saúde, segurança, liberdade flexibilidade, respeito e todos os recursos necessários para que seja quem quiser, aonde quiser e que o mundo esteja receptivo às suas opiniões, idéias, crenças e conhecimentos. Que não haja fronteiras relacionais, profissionais ou internacionais. É como a primeira frase que eu disse ao vê-la: o mundo será pequeno demais para a grandiosidade do teu ser”.

Kelly e a filha Giulietta

Taynã: Futuro livre de preconceitos

Há cerca de onze anos na Dígitro Tecnologia, Taynã Livramento atua na área de Comunicação Corporativa. A analista de sistemas acredita que o setor de tecnologia ainda é um mercado onde predominam os homens, mas acredita que isso está mudando. “As mulheres estão se empoderando e quebrando as barreiras impostas pela sociedade. Nem sempre é fácil ser mulher nesse meio, porém com uma boa postura, como em qualquer outra área, e nos fazendo ser vistas pelo nosso trabalho e não pelo sexo, acho que conseguimos quebrar alguns preconceitos ainda existentes e sermos bem sucedidas”, diz. Taynã tem uma filha de um ano e meio e pretende não direcionar a criança, quando for a hora, para uma profissão específica, e sim apoiá-la em suas escolhas: “o futuro ideal, sem dúvidas, é aquele em que as pessoas sejam vistas além do gênero. Que seus valores sejam reconhecidos independente de sexo, raça ou crença — um mundo mais justo. Espero que minha filha possa ser quem ela quiser, sem se preocupar com preconceitos sobre seu gênero ou sua fisionomia e que ela seja uma pessoa extremamente realizada profissionalmente”, finaliza.

Taynã e a filha Dandara

Mari: Mais inclusão

Mari Belini trabalha com tecnologia há 10 anos, começou a carreira na área de negócios e hoje atua como product manager na Involves, scale-up que produz soluções de trade marketing. Mari também é organizadora do Startup Weekend Women e mãe de dois filhos, Sofia, de 4 meses, e Hugo, de 12 anos. Ao longo dos anos viu o mercado de trabalho passar por transformações e acompanhou o crescimento da inclusão de mulheres nos setores de tecnologia da informação. “Vi não só as mudanças acontecerem nas empresas como uma transformação pessoal. Amadureci como profissional e já não me sinto mais tão intimidada pelo fato de representar uma minoria na área”, avalia. “Acredito que o ambiente mudou muito também. No início, por ser mãe, sentia uma pressão para entregar mais resultados que os outros. Na Involves , fui contratada grávida. Percebi que a empresa entendeu meu potencial e que os quatro meses de licença seriam pouco tempo comparado ao que eu posso entregar a longo prazo”, completa. Para os filhos, Mari deseja que a inclusão seja cada vez maior. “Para meu filho, desejo que ele respeite as mulheres com igualdade. Para minha filha, quero que seja cada vez mais natural ter mulheres atuando em diferentes áreas e que ela não passe por situações que a diminuam no ambiente de trabalho. Também desejo um mundo com a  inclusão de outros grupos na tecnologia, como negros, pessoas trans, gays e lésbicas”, finaliza Mari.

Mari, Sofia e Hugo

Alesandra: Possibilidade de equilibrar carreira e maternidade

Graduada em Ciências Econômicas, Alesandra Voltolini, hoje com 43 anos, tinha 27 quando decidiu deixar Benedito Novo, cidade distante 45 quilômetros de Blumenau, para abraçar uma oportunidade de trabalho na empresa de soluções em TI HBSIS Ambev. Foi contratada para ser consultora e implantar revendas, mas logo se interessou por tecnologia e passou a aproveitar oportunidades internas de capacitação e crescimento. Hoje, como analista de testes, é responsável por assegurar a qualidade de entregas e por garantir que estejam em conformidade com as especificações da solução.

“Antigamente não havia muita representatividade da mulher nessa área, mas o mercado de trabalho está ficando mais igualitário. Já temos mulheres que são espelho para outras”. É isso o que ela quer ser para a filha, Ana Clara, de três anos. “Desejo que ela seja muito feliz em qualquer área que escolher. Mas vou sempre dar meu exemplo e a inspirar. Quero mostrar a ela que também é possível atingir objetivos e crescer profissionalmente na tecnologia. Quero muito que ela tenha uma oportunidade como a que eu tive, de trabalhar em um local que reconhece o valor das mulheres e dá espaço com flexibilidade e oportunidades para crescimento”, diz Alessandra.

Ela considera fundamental as empresas darem condições para que as mulheres equilibrem carreira e maternidade: “No meu trabalho, temos muita flexibilidade de horários e liberdade, então consigo adequar bem minha vida pessoal à profissional e aproveitar as chances de crescimento”.

Alessandra e a filha Clara

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