Cartilha orienta pais sobre transporte correto de crianças em veículos

Cartilha: O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançam na próxima semana uma cartilha para ajudar pais e responsáveis a colocar crianças no carro de maneira correta, sem prejuízos à saúde.

Segundo a cartilha, crianças devem sempre que possível ser transportadas no banco traseiro dos veículos automotores e preferencialmente ocupar a posição central nesse banco. Caso o veículo não tenha cinto de três pontos na posição central do banco traseiro, o dispositivo de retenção infantil deverá ser instalado nas posições do banco de trás onde houver esse cinto. O airbag do passageiro deverá ser desativado quando o veículo transportar crianças no banco da frente.

“Esses equipamentos foram projetados para dar mais segurança aos usuários em casos de colisão ou de desaceleração repentina. Conforme mostram os números, eles têm sido fundamentais para salvar milhares de vidas ao longo destes anos”, diz o primeiro vice-presidente do CFM, Mauro Ribeiro.

A cartilha conta com orientações do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo Antônio Meira Júnior, diretor da Abramet e um dos idealizadores do livreto, os médicos são profissionais fundamentais para recomendar a forma apropriada de conduzir uma criança em um veículo.

MEDICINA DE TRÁFEGO transporte seguro de crianças
em veículos automotores

A Cartilha Completa

Acidentes de tráfego envolvendo veículos automotores constituem uma das principais causas de morte,
ferimentos e incapacidades adquiridas no mundo. Considerando-se a faixa etária de 5 a 14 anos, o óbito decorrente de ferimentos provocados pelos acidentes de trânsito é a primeira entre todas as causas definidas, na maioria dos países das Américas, incluindo o Brasil, onde milhares de crianças e adolescentes sofrem as consequências desse problema.

Assentos infantis (dispositivos de retenção para crianças) são muito efetivos e, quando utilizados corretamente, conferem proteção adequada. O uso destes dispositivos pela população vem aumentando, mas muitas crianças
ainda não utilizam estes equipamentos ou são transportadas sem a contenção apropriada, possibilitando a ocorrência de fatalidades evitáveis.

Crianças em uso de dispositivos de retenção apropriados, no caso de acidente automobilístico, têm alta
redução nos índices de riscos de morte e de sofrer ferimentos graves. Se utilizarem apenas o cinto de segurança do veículo, apresentarão acréscimo nas chances de sofrer ferimentos graves e necessitar de hospitalização.
A utilização de assentos de segurança para crianças está entre as mais importantes medidas preventivas para
reduzir mortes e ferimentos decorrentes de acidentes de trânsito, mas pais, transportadores e cuidadores de crianças, além dos órgãos de fiscalização, necessitam saber qual o local do veículo mais apropriado para transportá-las. Precisam identificar ainda a maneira mais segura e apropriada de equipar os veículos com os assentos e os cintos de segurança, visando atender às exigências legais estabelecidas e cumprir os propósitos destas, ou seja, proteger, da melhor maneira, a integridade da criança.

2. O banco ocupado pela criança e o risco

A definição do banco do veículo a ser ocupado pela criança é muito importante.
Crianças transportadas no banco traseiro do veículo têm risco absoluto menor (redução do risco absoluto – RRA) de sofrer ferimentos ou morte em comparação àquelas transportadas no banco dianteiro.

No caso de acidente automobilístico, se estiverem atrás terão maior probabilidade de sobrevivência. Se estiverem utilizando dispositivo de retenção apropriado, terão o mais baixo risco de morte nos acidentes fatais.

Com relação ao risco de morte e ferimentos, este índice também será reduzido, mesmo se não estiverem utilizando estes dispositivos, assim como apresentarão menor risco de sofrer ferimentos graves e necessidade de internação hospitalar.

3. O lugar mais seguro no assento

O local mais seguro é o centro do banco traseiro
A segurança é ainda maior quando a criança é transportada no centro do banco traseiro, não havendo diferença significativa quanto ao risco entre o posicionamento da criança no lado direito ou esquerdo do banco.

No caso de acidente automobilístico, crianças transportadas no centro do banco traseiro têm até 24% menos
risco de morte que aquelas transportadas nas posições laterais.

IMPORTANTE:
Um dispositivo de segurança infantil só deve ser
colocado no centro do banco traseiro se este local for equipado com um cinto de segurança de três pontos.

4. O risco do airbag frontal

No Brasil, somente em situações especiais é permitido o transporte de menores de 10 anos no banco da frente
do veículo (ver mais sobre o assunto em “Anexos: legislação”).

Nesse caso, atenção especial deve ser dada ao transporte de crianças em veículos dotados de airbag frontal para o passageiro (Figura 1). A abertura da bolsa inflável deste dispositivo pode causar ferimentos graves em
crianças sentadas no banco da frente do veículo.

Salvo instruções específicas do fabricante do veículo, o banco do passageiro dotado de airbag deverá ser ajustado
em sua última posição de recuo (Figura 2) quando ocorrer o transporte de crianças.
O airbag frontal é um equipamento de segurança desenvolvido para proteger adultos, e pode ser, em alguns
casos, perigoso para as crianças. Alguns automóveis têm sistemas que desligam o airbag frontal do banco dianteiro do passageiro.

5. Como escolher o dispositivo de segurança

Inicialmente, é preciso prestar atenção no grupo de massa ao qual a criança pertence para escolher o
melhor dispositivo de proteção.
Ao escolher um dispositivo de retenção se deve evitar aqueles que estejam muito próximos dos limites do
desenvolvimento da criança. O dispositivo não deve ser nem grande nem justo demais a ponto de propiciar folgas ou apertos indesejados. Os transportadores não devem utilizar dispositivos que não sejam correspondentes ao peso e à altura da criança.

Nesse sentido, recomenda-se observar em qual dos cinco grupos de massa a criança se enquadra, em função de
seu peso e de sua altura, conforme tabela a seguir.

Grupos de Massa Adequação para crianças

Grupo 0 até 10 kg, altura aproximada de 0,72 m até 9 meses de idade
Grupo 0+ até 13 kg, altura aproximada 0,80 m, até 12 meses de idade
Grupo I de 9 kg a 18 kg, altura aproximada 1,00 m, até 32 meses de idade
Grupo II de 15 kg a 25 kg, altura aproximada 1,15 m, até 60 meses de idade
Grupo III de 22 kg a 36 kg, altura aproximada 1,30 m, até 90 meses de idade

Outro ponto a ser observado: a classificação segundo o grupo de massa deve estar estampada junto com a certificação de que o equipamento obteve aprovação nos testes exigidos pelas normas técnicas de fabricação e segurança (selo de conformidade e órgão certificador), conforme a Figura 3.

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Sobre a ampla variedade de sistemas de retenção que as crianças necessitarão ao longo de seu crescimento,
em razão das mudanças de idade, peso e altura, apresentaremos considerações a seguir.

5.1. Assento infantil

Enquanto a criança não conseguir se sentar e manter o equilíbrio da cabeça, deve ser usado assento tipo
concha, instalado com leve inclinação no sentido inverso ao da posição normal do banco do veículo. Isso evita que a cabeça da criança seja submetida a impactos em caso de freadas e colisões, diminuindo o risco de traumas da coluna cervical. Nos impactos frontais, as forças serão distribuídas pela maior parte da superfície corporal.

O assento tipo concha é usado desde o nascimento até a criança completar um ano de idade e atingir o peso
aproximado de 9 kg.  Caso o veículo não possua cinto de três pontos na posição central do banco traseiro, o assento infantil deverá ser instalado nas posições do banco de trás onde houver esse aparato (Figura 4).

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5.2. Assento conversível

Maior que o assento infantil, com suporte para a
cabeça mais alto, o assento conversível poderá ser posicionado semirreclinado, acomodando crianças de peso maior,
até 13 kg, que ainda não completaram 1 ano.

Para maior proteção, a criança pode continuar sendo
transportada nestes dispositivos de segurança com a face voltada para trás do veículo (Figura 5), enquanto eles a acomodarem em função do peso e sem que o topo da cabeça ultrapasse o topo do assento.

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5.3. Cadeirinha de segurança

A cadeirinha de segurança é utilizada a partir de 1 ano de idade, momento em que a criança já possui pleno controle do pescoço e da cabeça, até os 4 anos de idade (aproximadamente 18 kg). Nesta fase, a cadeirinha deve ser instalada na posição vertical, voltada para o painel do veículo, mantida na posição central do banco traseiro (Figura 6).

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A aceleração da cabeça e a carga de tração do pescoço são reduzidas nos impactos frontais quando a
criança se encontra contida neste dispositivo de segurança. Caso o veículo não possua cinto de três pontos na posição central do banco traseiro, a cadeirinha deverá ser instalada nas posições do banco de trás onde houver esse aparato.

5.4. Assento de elevação

Também conhecido como booster, o assento de elevação é indicado nas situações onde a cadeirinha se
tornou pequena devido ao crescimento da criança (Figura 7), embora ainda não tenha alcançado altura suficiente para utilizar e beneficiar-se do uso do cinto de segurança próprio do veículo.


O booster é especialmente projetado para se ajustar ao banco traseiro do automóvel, elevando a criança a uma
altura tal que permita que o cinto de segurança fique corretamente posicionado, sendo que o ideal é o modelo de três pontos.
O uso do assento de elevação é aconselhado até a criança atingir 36 kg, 145 cm de altura e completar, aproximadamente, 10 anos.

Caso o veículo não possua cinto de três pontos na posição central do banco traseiro, o assento de elevação deve ser instalado nas posições do banco de trás onde houver esse aparato.

IMPORTANTE:
Quando uma criança passa a utilizar prematuramente o cinto de segurança do veículo, a faixa subabdominal
posiciona-se sobre o abdome e a transversal atravessa o pescoço e a face. Esse posicionamento predispõe a criança a lesões da coluna vertebral e abdominais.

5.5. Cinto de segurança do veículo

O cinto de segurança dos automóveis foi projetado
para adultos. Enquanto a criança não puder se adequar a
ele, um assento de segurança deverá ser utilizado. Geralmente, a criança não se adapta a esse tipo de dispositivo até atingir a estatura mínima de 145 cm, aproximadamente aos 10 anos de idade.

O uso adequado do cinto de segurança pressupõe que sua faixa transversal passe sobre o ombro do ocupante
do veículo e, diagonalmente, pelo tórax (atravessando a linha hemiclavicular e o centro do esterno). Sua faixa subabdominal deve ficar apoiada nas saliências ósseas do quadril ou sobre a porção superior das coxas (Figura 8).

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6. Como e onde instalar os dispositivos de retenção

A instalação deve ser feita sobre os bancos, retendo os dispositivos com os cintos de segurança originais do
veículo.

Os dispositivos de retenção para crianças são projetados para reduzir os riscos em caso de colisão ou desaceleração repentina do veículo, limitando o deslocamento do corpo da criança. Eles são compostos de tiras dotadas de fecho de travamento, dispositivos de ajuste, partes para fixação e, em certos casos, itens como berço portátil, porta-bebê, cadeirinha auxiliar e/ ou proteção anti-choque, que devem ser fixados ao veículo.

A instalação deve ser feita sobre os bancos, retendo os dispositivos infantis com os cintos de segurança originais do veículo. O bom funcionamento desses equipamentos depende do modo como são instalados e utilizados.
É comum haver dificuldade nas primeiras vezes que se instala um dispositivo de retenção, principalmente pela
diversidade dos equipamentos. Os assentos infantis instalados voltados para a traseira do veículo são os que apresentam o maior índice de instalação incorreta, por serem os de acomodação mais complexa.

Nos últimos anos, têm sido desenvolvidos sistemas para instalar os dispositivos de retenção em veículos previamente equipados, sem necessidade de se utilizar o cinto de segurança do automóvel, mas simplesmente “encaixando” o assento no banco traseiro, tornando a instalação mais simples. Esses sistemas estão sendo disponibilizados em novos modelos de automóveis.

A Resolução nº 518, de 29 de janeiro de 2015, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), estabelece que, a
partir de 2018, todo novo projeto de automóvel, camioneta e utilitário deverá possuir ao menos uma ancoragem inferior Isofix e uma ancoragem do tirante superior Isofix, ou uma posição Latch para fixação de um dispositivo de retenção de criança em um dos assentos do banco traseiro (Figura 9).

Em 2020, a regra passará a valer para todos os modelos comercializados no Brasil. O Isofix facilita consideravelmente a tarefa de instalar os dispositivos de retenção, aumentando a eficiência do sistema. Há maior estabilidade em caso de impacto lateral e rigidez da fixação entre o dispositivo de retenção e chassis, permitindo que, em caso de frenagem, ambas as partes desacelerem quase ao mesmo tempo.

7. Falhas mais frequentes no transporte veicular de crianças

No transporte veicular de crianças, as falhas mais frequentes se referem àquelas transportadas no banco da
frente e/ ou ao uso inapropriado dos dispositivos de segurança (por exemplo, crianças com idade inferior a um ano colocadas em cadeirinhas instaladas de frente para o painel do veículo).

O problema mais recorrente é o das crianças transportadas utilizando apenas o cinto de segurança do veículo (Figura 10), sem que tenham atingido altura suficiente para utilizá-lo.

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8. Transporte de crianças prematuras ou com necessidades especiais

No transporte veicular, crianças prematuras (pré–termo) poderão apresentar distúrbios cardiorrespiratórios
(apneia, hipoxemia e bradicardia), necessitando de avaliação médica para serem removidas com segurança.
Crianças necessitando de cuidados especiais quanto à saúde, como portadoras de traqueostomia, imobilizações,
ou as que apresentarem distúrbios do comportamento, ou que possuam anormalidades do tônus muscular ou cadeirantes, poderão precisar de recursos apropriados para transporte seguro.
Os efeitos biomecânicos que um acidente envolvendo veículos automotores pode provocar em crianças com
necessidades especiais de saúde não foram bem estudados até o momento.

9. Síntese das recomendações para o transporte veicular seguro de crianças

• Para maior segurança, crianças devem ser transportadas no banco traseiro dos veículos automotores.
• Sempre que possível, as crianças deverão ocupar a posição central no banco traseiro do veículo. Caso o veículo não possua cinto de três pontos na posição central do banco traseiro, o dispositivo de retenção infantil deverá ser instalado nas posições do banco de trás onde houver esse cinto.
• O airbag do passageiro deverá ser desativado quando o veículo transportar crianças no banco da frente.
• Crianças devem ser transportadas com sistemas de retenção apropriados.

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Fonte : Conselho Federal de Medicina – CFM http://www.portal.cfm.org.br -Ebc Brasil com edição de  Graça Adjuto– Supervisão Editorial: Paulo Henrique de Souza Revisão: Caique Zen Projeto gráfico e diagramação: Diagraf Comunicação, Marketing e Serviços Gráficos. Editado por Redação Jornal Estado Notícias SC-